Após o marido ficar tetraplégico, influenciadora conta a rotina do casal nas redes sociais e viraliza: ‘É uma jornada tripla’

Maira Lazarini viu sua vida mudar rapidamente quando seu marido, Elder Souza, sofreu uma lesão na C4 (vértebra cervical 4 da coluna) e perdeu todos os movimentos. Em entrevista com Marie Claire, a criadora de conteúdo conta como é a sua rotina, como foi a adaptação da nova vida do marido e também como percebeu que precisava cuidar dela também

Por Paola Churchill, redação Marie Claire — São Paulo


Maira Lazarini viu sua vida mudar da noite para o dia quando seu marido, Elder Souza sofreu uma lesão na C4 Arquivo pessoal

Ao encontrar o amor da sua vida, falam que o mundo para e você sente, no fundo do coração, que a espera acabou. E é assim que Maíra Lazarini descreve o momento em que conheceu o marido, Elder Souza.

Os dois se viram pela primeira vez na Festa do Sereno, uma tradição de Batayporã, município do Mato Grosso do Sul, em 2017. “A gente se dá bem. Vou falar uma coisa que o Elder sempre me diz. Ele soube que era eu porque ele se sente ele mesmo comigo, e eu digo o mesmo”, explica Maira, em entrevista a Marie Claire.

Os dois se casaram e tudo ia bem, até que no final de 2019, Maíra estava grávida de 5 meses do seu filho Heitor Lazarini Santos, atualmente com 3 anos, e começou ter uma sensação ruim de que algo iria acontecer. Eles até viram o filme Como Eu era Antes de Você, que conta a história de Louisa Clark (Emillia Clarke), que é contratada para ser cuidadora de Will (Sam Clafin), um jovem tetraplégico depressivo e cínico.

“No dia que vimos o filme, Elder pediu para eu escovar os dentes dele no banho a noite e brincou: ‘Se um dia ficar tetraplégico, vamos ver se você vai saber cuidar de mim’. Não soube escovar os dentes dele, rimos e disse que nunca saberia cuidar, dias depois o Elder sofreu o acidente”, relembra.

"A família toda se adaptou para viver em torno da lesão"

No natal daquele mesmo ano, o casal estava Bodoquena, cidade de sete mil habitantes, em um dia de muito calor. Devido as altas temperaturas, Elder decidiu que um banho no rio próximo de onde eles estavam seria um alívio. O comerciante, apelidado carinhosamente pela esposa e amigos de Grandão, bateu a cabeça em um banco de areia e após uma lesão grave na C4 (vértebra cervical 4 da coluna), perdeu os movimentos.

Assim que soube do acidente, Maíra saiu correndo e eles foram para o hospital. “Passamos o Natal e o Ano Novo lá. Foi muito difícil. Difícil porque falta informação, então você não sabe muito bem por onde começar, se é possível, até onde é possível, você se guia por histórias, leitura, vai um tempo até tentar entender como e por onde começar”, continua.

Doze dias depois, Elder teve alta e eles voltaram para casa. Toda a rotina que eles conheciam teve que ser adaptada. “Mudou tudo. Para sair da cama ele precisa de um guincho, banho, alimentação, tudo é mais demorado. A nossa vida gira muito em torno da rotina do Elder, que tem febre, tem dor. Ele ficar sentado é o menor problema. A família toda se adaptou para viver em torno da lesão para ele ficar bem amparado tanto fisicamente quanto emocionalmente”, pontua.

Maira Lazarini viu sua vida mudar da noite para o dia quando seu marido, Elder Souza sofreu uma lesão na C4 — Foto: Arquivo pessoal

Nova rotina

Não foi só a família que teve que se adaptar, como o próprio Elder, pois antes ele gostava de manter uma vida atlética e se viu sem conseguir mexer nenhum membro do corpo. “Tem toda a parte emocional. Ele teve fases. Eu peguei muito no pé para ele fazer fisioterapias. Demorou a engatar, mas quando começou não parou mais”, brinca.

O primeiro ano foi o mais difícil, mas com a fisioterapia, Elder conseguiu voltar a ter alguns movimentos. “A médica nos disse que tinha a chance de ‘desinchar’ e então poderia ganhar alguns movimentos. Com muita fisioterapia, os braços fortaleceram e, ano passado, ele ganhou tronco. Tem sido uma benção, mas o tratamento é constante, não pode parar, senão atrofia, entorta e perde força muscular”, explica.

Toda essa rotina é feita com todo o cuidado, na maioria por Maíra, que também tem que cuidar do filho, além de trabalhar: “É uma jornada tripla, brinco. Cuidar das demandas da casa, do trabalho e a cuidadora fica por 8 horas, fico as outras 16 horas, então já é exaustivo demais

Maira Lazarini viu sua vida mudar da noite para o dia quando seu marido, Elder Souza sofreu uma lesão na C4 — Foto: Arquivo pessoal

Sucesso nas redes sociais

Nos primeiros dois anos, a comerciante lembra que se virava e não documentava nada da rotina deles nas redes sociais. “O Elder custa caro, então eu precisava me virar nos trinta, tínhamos lojas, vivíamos delas, aí veio o Covid. Um malabarismo cuidar do Elder, ser mãe de primeira viagem e tentar não falir no COVID. As lojas não aguentaram essa turbulência e fecharam, comecei a vender carros, móveis, roupas. Me desapegar de tudo para manter a qualidade do tratamento. Mas começou a acabar. Então pensei “preciso de um trabalho que eu não necessite investir dinheiro, só minha mão de obra e força de vontade’. Daí veio a internet”, relembra.

A agora criadora de conteúdo então começou a postar a rotina do casal, na esperança que aquele podia se tornar a renda principal da família. E deu certo: além dos vídeos do casal baterem mais de um milhão de visualizações, a conta deles tem mais de 710 mil seguidores.

Inclusive um vídeo deles falando que “iriam tirar férias do casamento” viralizou e Maíra sofreu uma enxurrada de hates no comentário, como se ela estivesse abandonando o marido. Os dois ficaram duas semanas cada um na casa da família para dar um respiro para Maíra e de sua jornada tripla. “A ideia veio do Elder. Era para que eu pudesse dormir a noite inteira e não tivesse as demandas diárias por uns dias”, começa.

A influenciadora percebeu estar cuidando de todos em sua volta, menos dela mesmo. “Não parei em nenhum momento, sinceramente agora penso como aguentei. Fui com tudo quando ele se acidentou, ataquei todos os lados para ele não ficar desamparado, mas quando você corre rápido demais com muita força chega um momento que você trava.

Comecei a ter sinais que as coisas não estavam bem, procurei um psiquiatra, voltei para a terapia e percebi que precisava voltar a me olhar, mas fui segurando as pontas, não imaginei a gente longe nessa retomada a mim mesma”, revela.

E sobre os comentários negativos, ela tenta ignorar, mas fica magoada. “Entendo que as pessoas têm as próprias dores, e às vezes descontam isso na internet. Como lido? Quando estou mal, fico mais chateada. Quando estou bem penso que não é sobre mim, é sobre a dor do outro. O que entristece é os comentários de algumas mulheres”, revela.

Tratamento em São Paulo

O maior sonho do casal é que Elder fique bem. E, para isso, ele precisa dos melhores tratamentos. Por isso, eles estão fazendo uma vaquinha online para arrecadar o dinheiro e conseguirem seguir o tratamento em São Paulo.

“Ano passado fechamos uma parceria com uma clínica de fisioterapia neurológica intensiva e lá o Elder ganhou controle de tronco. A gente não esperava, não foi um ganho total, mas ajudou muito. Falamos com os profissionais e ele nos indicaram pelo menos um ano pra ganhar mais força lá. Então deixamos o medo de lado, porque somos do interior e resolvemos meter a cara e fomos. A ideia é ganhar o máximo de autonomia possível, ele quer ter liberdade de fazer coisas mínimas, como pentear o cabelo do jeito dele. Qualquer ganho é uma imensa vitória”, finaliza.

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