• Fernanda Montano
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A importância da vacina contra a coqueluche (Foto: Getty Images)

A importância da vacina contra a coqueluche (Foto: Getty Images)

1. O que é a coqueluche?

A coqueluche é uma infecção do trato respiratório causada pela bactéria Bordetella pertussis. Na medicina chinesa, é chamada de tosse dos 100 dias, pois a tosse persistente é o sintoma mais comum. A doença é transmitida de pessoa a pessoa e adultos sem reforço vacinal funcionam como fonte de infecção.

2. Quais os sintomas da coqueluche?

A doença tem três estágios:

Catarral (duração de 1 a 2 semanas)

Inicia-se após período de incubação de 7 a 10 dias em média

Rinorréia (muita coriza)

Conjuntivite com lacrimejamento

Febre baixa

Tosse ocasional

Paroxismo (duração de 1 a 6 semanas)

10 a 15 tossidas por ciclo expiratório

Tosse seca com ruído característico

Vômito após episódio de tosse

Convalescência (duração de 1 a 6 semanas)

A duração da tosse seca (não produtiva) é marcante

3. E o tratamento?

O tratamento antimicrobiano visa eliminar as bactérias, mas não diminui a duração dos sintomas. É importante para impedir a transmissão da doença, que ocorre de pessoa a pessoa. Além disso:

- Suporte ventilatório em casos que necessitam de internação hospitalar

- Tratamento de co-infecção – pode ocorrer infecção concomitante por outros patógenos do trato respiratório tal como Streptococcus pneumoniae (principal agente de infecções como otites, sinusites e pneumonias) e Haemophilus influenzae (agente que pode causar pneumonias e meningite bacteriana)

- Corticóides (anti-inflamatórios) e anti-histamínicos (anti-tussígenos) sem impacto significativo na melhora ou diminuição dos sintomas

4. Há uma faixa etária que corre mais riscos se infectada?

As crianças com idade menor que seis meses têm maior risco para adquirir a infecção. Em particular aquelas que não tomaram pelo menos três doses da vacina pentavalente. A doença é mais grave em crianças com idade menor que dois meses, pois essas ainda não receberam a primeira dose da vacina. No ano passado foram dois óbitos por coqueluche no estado de São Paulo. Cerca de 70% dos óbitos por coqueluche ocorrem na faixa etária de até dois meses.

5. Quem deve se vacinar e quando?

O calendário vacinal contra coqueluche público no Brasil é:

1ª dose aos 2 meses - vacina pentavalente contra Corynebacterium diphtheriae (agente da difteria), Clostridium tetani (agente do tétano), Bordetella pertussis (agente da coqueluche), Haemophilus influenzae tipo b (agente de meningite e otite) e vírus da hepatite B.

2ª dose aos quatro meses

3ª dose aos seis meses

15 meses – tríplice bacteriana - contra Corynebacterium diphtheriae (agente da difteria), Clostridium tetani (agente do tétano), Bordetella pertussis (agente da coqueluche)

4 anos - tríplice bacteriana - contra Corynebacterium diphtheriae (agente da difteria), Clostridium tetani (agente do tétano), Bordetella pertussis (agente da coqueluche)

A cada 10 anos deve ser feito o reforço da tríplice bacteriana, mas, atualmente, no sistema público, o reforço é feito apenas com a dupla (difteria e tétano) e não a tríplice bacteriana do adulto.

5. As grávidas precisam se vacinar?

Sim, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) recomenda a inclusão da vacina contra coqueluche a cada gestação. Outra abordagem importante é vacinar contra coqueluche todos aqueles familiares e profissionais que entrarão em contato direto com o recém-nascido. O ideal é que o reforço vacinal no adulto seja feito com a vacina tríplice bacteriana do adulto e não a dupla.

Fonte consultada: Jorge Sampaio, microbiologista do Fleury Medicina e Saúde.