Metropolitan Opera, de Nova York, luta para superar maior crise; entenda

Organização centenária passa por fase crítica: ‘Para a maioria, a pandemia acabou. Para as instituições artísticas, ainda estamos nela’, diz gerente geral, que mesmo assim vê futuro com otimismo

Por , Em The New York Times — Nova York


Sede da Metropolitan Opera, em Nova York: com receita insuficiente, organização acaba de sacar US$ 40 milhões de seu fundo patrimonial Amir Hamja/The New York Times

O Metropolitan Opera, ainda se recuperando dos transtornos causados pela pandemia, retirou quase US$ 40 milhões (R$ 196 milhões) de seu fundo de emergência patrimonial. A instituição luta para sobreviver a um dos períodos mais difíceis de seus 141 anos de História.

Na última temporada, o Met já havia sacado US$ 30 milhões do fundo para ajudar a cobrir despesas operacionais em meio à fraca venda de ingressos e a um déficit de caixa. Em geral, as organizações sem fins lucrativos tentam evitar o saque de seus fundos patrimoniais, que são destinados a crescer ao longo do tempo. O fundo patrimonial do Met agora tem cerca de US$ 255 milhões — em julho do ano passado, eram US$ 309 milhões.

— Para a maioria das pessoas, a pandemia acabou. Para as instituições artísticas, ainda estamos nessa situação — disse Peter Gelb, gerente geral do Met — Mas vemos uma saída. Há uma luz no fim do túnel.

De fato, a empresa sinaliza que pode estar virando o jogo. O comparecimento pago nesta temporada está quase de volta ao que era antes da pandemia. As transmissões cinematográficas “Live in HD” estão começando a atrair um público maior. E, como o Met apresenta óperas mais contemporâneas, está atraindo públicos mais jovens: a idade média dos compradores de ingressos individuais para apresentações presenciais caiu de 50 para 44 anos.

O Met espera doações em dinheiro de mais de US$ 100 milhões para ajudar a repor o fundo patrimonial nos próximos anos. A empresa também está trabalhando para conseguir uma doação “transformadora”, disse Gelb. Ele se recusou a fornecer detalhes, dizendo apenas que esperava que isso acontecesse “mais cedo ou mais tarde”.

Gelb disse que o Met “obviamente não pode criar o hábito” de mergulhar em seu fundo patrimonial, mas que a retirada ajuda enquanto as receitas com ingressos se recuperam e as doações esperadas não chegam.

— Sob as circunstâncias e os desafios financeiros extraordinários que estamos enfrentando, acreditamos que essa é a atitude prudente a ser tomada — disse ele. — A alternativa seria interromper a programação.

Apertando o cinto

O Met não é a única organização de artes cênicas que ainda luta para “sair da pandemia”. Em todos os EUA, instituições semelhantes estão fazendo menos apresentações, demitindo funcionários e, em alguns casos, fechando as portas. Nos últimos meses, orquestras e companhias de dança e ópera cortaram orçamentos, venderam imóveis e reduziram suas temporadas para se manter à tona.

Mas o Met enfrenta grandes desafios. Montar uma ópera ao vivo é caro, exigindo cenários luxuosos, cantores conhecidos e uma orquestra e um coro muito maiores do que ostentam os mais grandiosos espetáculos da Broadway.

O Met planeja mudar sua programação nos próximos anos para que cada ópera tenha temporadas mais condensadas, com menos espetáculos em cartaz simultaneamente.

Além disso, os planos exigem priorizar títulos populares, como “La bohème”, que tendem a gerar muito mais receita do que obras menos conhecidas.

Espera-se que essas mudanças, juntamente com outras medidas de corte de custos e esforços de marketing, rendam à instituição cerca de US$ 25 milhões a US$ 40 milhões por ano.

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