Inflação das gorjetas: veja situações em que o pagamento é ainda mais opcional

Não existe uma obrigatoriedade do pagamento da gorjeta no Brasil. Mas as regras culturais e de consumo mudam de país para para país.

Por Valor Investe — Rio


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Você já notou que a prática de pagar gorjetas está em praticamente todos os lugares, além dos estabelecimentos tradicionais? Postos de gasolina, lojas de conveniência e também em aplicativos de transportes e de entregas convidam os usuários a contribuir com os trabalhadores. E nessa onda, os 10% ficaram no passado. Alguns estabelecimentos já cobram 13%, 15% ou então deixam a porcentagem da gorjeta à escolha do cliente. Se para alguns o pagamento não incomoda, para outros, a "inflação da gorjeta" é um problema, sim.

O Procon-SP lembra que não existe uma obrigatoriedade do pagamento da gorjeta. O local deve informar que o pagamento é opcional, além de deixar claro qual o valor sugerido. A taxa não pode ser apresentada se não houver efetiva prestação de serviço.

Mas as regras culturais e de consumo mudam de país para para país. Na Argentina, por exemplo, é esperado o pagamento adicional entre 10% a 20% sob o valor da nota. Nos Estados Unidos, a grande maioria dos profissionais de serviços depende das gratificações para alcançar uma remuneração justa mínima. Por lá, a cultura da gorjeta é algo bem mais sério. Não à toa os guias de viagens sempre orientam os turistas a prepararem um orçamento extra para esse fim.

Atualmente, nos EUA, deve-se acrescentar 20-25% ao valor final da conta, um percentual maior do que se vinha praticando, especialmente diante do aperto inflacioário pelo qual o país vem passando. Para o especialista em etiqueta Thomas Farley, conhecido nas redes sociais por Mister Manners - Senhor maneiras -, as pessoas estão se sentindo impostas a pagar a gorjeta. "Já estamos vivendo tempos inflacionários e tudo é absurdamente caro. Além disso, toda vez que você se vira, a pergunta é: 'Quanto você gostaria de dar de gorjeta?", comenta em entrevista ao site CNBC.

O tema divide opiniões e não é de hoje. Veja em quais situações o pagamento da gorjeta pode ser reavaliado. Veja quais.

Profissionais assalariados

Professores, encanadores ou técnicos de TV a cabo são alguns dos profissionais assalariados em que a gorjeta não só não é necessária, como pode causar problemas, já que o pagamento adicional pode ser visto como alguém que tenta obter algum tipo de favor a mais ou até tentar um suborno.

Em restaurantes, é apropriado perguntar discretamente ao garçom para onde vai a taxa. Se eles disserem que vai para os trabalhadores do estabelecimento, faz mais sentido a gorjeta, avalia Elaine Swann, especialista em estilo de vida e etiqueta ao site CNBC.

Serviço no balcão

Via de regra, quem trabalha no balcão ganha um salário, enquanto os entregadores de comida contam com gorjetas como grande parte de sua renda. Por esse motivo, o Mister Manners - Senhor maneiras avalia que dar gorjeta a pessoas que trabalham atrás de um balcão, como um barista ou um caixa.

Isso não quer dizer que uma gorjeta para um atendente esteja fora de questão, especialmente se você frequenta o estabelecimento e o balconista já tenha o seu pedido memorizado. Mais do que uma gorjeta, esse é um bom gesto que vai além do serviço, pondera Swann.

Eventos Open Bar

Se você for a um evento open bar, é provável que o anfitrião desse evento já cuidou da gorjeta. Além disso, se o bar estiver muito movimentado, o fato de dar uma gorjeta em busca de um um serviço melhor durante a noite pode gerar problemas a você e ao prestador de serviço.

Gorjeta em dobro

Pagar gorjeta à manicure no salão é algo bem comum em alguns lugares do Brasil, como no Rio de Janeiro. Contudo, pode acontecer de uma nova gorjeta ser solicitada no balcão do estabelecimento. Esse é mais um exemplo onde o pagamento da gorjeta deve ser reavaliado.

Serviço ruim

Você nunca é obrigado a dar gorjeta a alguém quando o serviço é ruim ou se você teve alguma situação grosseira. No caso de um serviço individual, como um corte de cabelo, isso é simples e direto.

No caso de um restaurante, fica um pouco mais complicado. Afinal, nem sempre o atendimento ruim é culpa do garçom. Por isso, vale perguntar se atendente está com algum problema e separar as situações para não cometer nenhuma injustiça: se a comida demorou muito para sair, é um problema da cozinha. Se não foi bem preparada, também.

Mas se você teve uma interação desagradável com um garçom, Swann defende a retirada da gorjeta e apresentação da situação ao gerente do local.

Inflação das gorjetas: veja situações em que o pagamento é ainda mais opcional — Foto: Getty Images
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